Aos 60 anos, Dina descobre que nunca é tarde para realizar um sonho
Por Redação, Agenda News - Petrópolis
Publicado em 14/07/2026 09h27 - Atualizado em 14/07/2026 09h27
Divulgação
Por Redação, Agenda News - Petrópolis
Publicado em 14/07/2026 09h27 - Atualizado em 14/07/2026 09h27
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Durante grande parte da vida, Dina fez aquilo que milhões de mulheres brasileiras fazem diariamente: construiu uma família, trabalhou, venceu desafios, educou os filhos e colocou as necessidades das pessoas que amava acima dos próprios desejos. Entre tantas responsabilidades, havia um sonho que permaneceu guardado, silencioso, mas nunca esquecido.
Desde menina, a música fazia parte de sua essência. Gostava de cantar, inventava histórias, brincava de representar personagens, dançava e imaginava um futuro ligado à arte. A criatividade sempre caminhou ao seu lado e alimentava uma paixão que resistiria ao tempo.
A vida, porém, seguiu outro roteiro. Ainda jovem, ingressou no mercado de trabalho, constituiu sua família, casou-se, tornou-se mãe e dedicou décadas à profissão e ao lar. Foram anos de muito aprendizado e realizações pessoais, mas o desejo de estudar música, cantar e desenvolver sua expressão artística permaneceu apenas como um sonho adiado — nunca abandonado.
Hoje, aos 60 anos, Dina olha para trás com gratidão pela trajetória construída. Em vez de lamentar o que não viveu, prefere celebrar aquilo que finalmente começou a viver.
O reencontro com esse antigo sonho aconteceu no início deste ano, quando conheceu o Arte Plena 50+, projeto criado pela Escola de Música Santa Cecília especialmente para pessoas com mais de 50 anos. A iniciativa nasceu para oferecer muito mais do que aulas de arte. Sua proposta é criar um ambiente de convivência, aprendizado e desenvolvimento humano por meio da integração entre música, canto, teatro e dança, permitindo que pessoas maduras descubram novos talentos ou retomem paixões deixadas para trás ao longo da vida.
Diferentemente de cursos tradicionais, o Arte Plena 50+ reúne as três linguagens artísticas em encontros semanais de 1h50min, proporcionando aos participantes experiências que estimulam a criatividade, a memória, a expressão corporal, a comunicação, a autoestima e a socialização. Não é necessário ter experiência anterior. O projeto foi pensado justamente para acolher pessoas que sempre desejaram fazer arte, mas nunca encontraram tempo ou oportunidade.
Foi exatamente isso que Dina encontrou.
Incentivada pela filha a dedicar um tempo para si, ela decidiu conhecer a iniciativa. Bastou participar das primeiras atividades para perceber que aquele espaço representava muito mais do que um curso. "Sempre gostei de música. Sou apaixonada por cantar. Também gostava de dançar e de representar. Tudo isso sempre esteve dentro de mim. Hoje sinto que estou realizando um sonho que ficou guardado por muitos anos. Descobri que nunca é tarde para começar."
Mais do que aprender técnicas de canto, teatro ou dança, Dina afirma que encontrou acolhimento, amizade e uma nova forma de olhar para si mesma. Ela destaca que conhecer a história da Escola de Música Santa Cecília também tornou essa experiência ainda mais significativa, por perceber o compromisso da instituição em democratizar o acesso à cultura e manter viva uma tradição centenária de formação artística.
O entusiasmo é tanto que ela já se considera uma divulgadora espontânea do projeto. "Quero vestir a camisa da escola, falar para as pessoas e mostrar que elas também podem viver essa experiência. Muitas vezes pensamos que já passou o nosso tempo, mas aqui descobrimos exatamente o contrário.".
Para o coordenador do projeto, Lucas Ribeiro, histórias como a de Dina representam a essência do Arte Plena 50+. "Criamos o projeto neste ano acreditando que a arte pode transformar vidas em qualquer idade. O que estamos vendo é muito mais do que pessoas aprendendo música, teatro ou dança. Estamos vendo sonhos antigos sendo realizados, autoestima sendo reconstruída e pessoas redescobrindo capacidades que acreditavam ter perdido. A história da Dina simboliza exatamente esse propósito.".
Lucas destaca que o sucesso das primeiras turmas confirma a importância de iniciativas voltadas ao público com mais de 50 anos. Segundo ele, o projeto demonstra que a aprendizagem artística não tem limite de idade e que o ambiente coletivo fortalece vínculos, amplia a confiança e melhora significativamente a qualidade de vida dos participantes.
A história de Dina é, ao mesmo tempo, singular e universal. Singular porque retrata uma mulher que decidiu escrever um novo capítulo aos 60 anos. Universal porque lembra que milhares de pessoas também carregam sonhos deixados em espera pelas circunstâncias da vida.
Hoje, quando entra na Escola de Música Santa Cecília para mais um encontro do Arte Plena 50+, Dina já não pensa no tempo que passou. Prefere celebrar o presente. Afinal, descobriu que os sonhos não envelhecem. Eles apenas esperam o momento certo para encontrar quem esteja disposto a vivê-los.
Mais informações podem ser obtidas de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, na sede da Escola de Música Santa Cecília, localizada na Rua General Osório, 192, Centro de Petrópolis, pelo telefone e WhatsApp (24) 2242-2191 ou pelas redes sociais @emusicasantacecilia (Instagram) e @santaceciliapetropolis (Facebook).
SERVIÇO
Escola de Música Santa Cecília
Rua General Osório, 192
(25620-160) Centro, Petrópolis – RJ
Google Maps: https://goo.gl/maps/y3euNmLBzsfcwtXv8
Telefone/ Whatsapp: (24) 2242-2191
Instagram: @emusicasantacecilia (https://www.instagram.com/emusicasantacecilia/)
Facebook: @santaceciliapetropolis (https://www.facebook.com/santaceciliapetropolis)
SOBRE A ESCOLA DE MÚSICA SANTA CECÍLIA
A Escola de Música Santa Cecília, foi fundada em 16 de fevereiro de 1893, pelo professor de música João Paulo Carneiro Pinto, pernambucano talentoso e músico conhecido por sua excelência, atestada por uma das suas premiações, a “Medalha de Ouro” do Conservatório de Música do Rio de Janeiro. O professor, trazido para Petrópolis pela Família do Barão Araujo, que venerava Petrópolis, assim como outras tantas famílias que tinham a cidade como refúgio do calor e dos problemas de saúde que enfrentavam na então capital do Brasil, Rio de Janeiro.
Além disso, com a industrialização, na última década do século XIX, Petrópolis atraiu trabalhadores do exterior, como também de todo país, estabelecendo uma união estreita da cidade com os mineiros imigrantes, através do trem de ferro. A República, recém instaurada, sofria pressões políticas, e a Revolta da Armada contra o governo de Floriano Peixoto feria a paz, estando decidida a mudança da capital do Estado do Rio de Janeiro para Petrópolis. Os verões alegres da cidade, a tranquilidade, o ambiente saudável, a garantia de emprego, tornaram-se atrativos para uma nova população que pouco a pouco integrou-se aos colonos alemães.
Por causa de toda esta ebulição, o músico João Paulo Carneiro Pinto, abandonou a vida carioca, fixou residência em Petrópolis, onde inaugurou um ensino de música para 34 crianças bem dotadas musicalmente e, principalmente, sem recursos, na escola que leva o nome da padroeira da música, Santa Cecília. Passando de um prédio a outro de doações e subvenções do poder público e do empresariado, a Escola foi inicialmente acolhida no Hotel Bragança, que nada cobrava do maestro.
A escola de Paulo Carneiro tornou-se presença obrigatória em toda a vida cultural e festiva de Petrópolis, não só pelo ensino como pela orquestra, participante efetiva de todas as festividades públicas e particulares. A extraordinária e muito respeitada figura do maestro foi presença marcante na vida petropolitana. Ao falecer, a 10 de setembro de 1923, seu último pedido a amigos e devotados auxiliares: Não deixem morrer a minha Escola!
Na manhã de 23 de setembro de 1923 reuniram-se esses amigos com Sanctino Carneiro, filho do maestro, que abriu mão de todos os bens do pai – representados por instrumentos musicais e a própria escola – iniciando a organização da sociedade civil, hoje conhecida como a Escola de Música Santa Cecília.
De prédio em prédio, a sociedade adquiriu, por fim, uma pequenina casa na rua Marechal Deodoro, número 192, esquina da Rua Marechal Deodoro com a Rua General Osorio, onde se instalou com cursos musicais, abrindo seu salão para atividades artísticas em geral, que abrigavam também um cineteatro. Graças a uma campanha sólida de arrecadação junto à população petropolitana, em 1950 o pequeno prédio foi demolido e as obras começaram. Durante o período de construção, a escola funcionou no Palácio de Cristal. Cinco anos depois, em 1955 foram inaugurados o Edifício Paulo Carneiro e o Teatro Santa Cecília, consolidando o sonho do Maestro Paulo Caneiro.
Dentre as centenas de alunos, professores e dirigentes, que passaram por seus bancos escolares e administrativos, destacam-se três notáveis personalidades musicais, todos petropolitanos natos, representantes de três fases da Escola: da primeira (século XIX), a pianista Magdalena Tagliaferro, aluna do maestro Paulo Carneiro; da segunda (primeira metade do século XX), o maestro, pesquisador e compositor César Guerra-Peixe; e da terceira (segunda metade do século XX), o maestro, compositor e pesquisador Ernani Aguiar.
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