Reconhecida como Patrimônio Imaterial do município, a festividade reuniu fiéis de diferentes regiões da cidade e visitantes em uma programação que combinou celebrações religiosas, atrações musicais, atividades culturais e gastronomia.
Entre os destaques estiveram as missas, a procissão, o concurso Holywins, novidade desta edição, e as apresentações artísticas realizadas no Burgo Alemão, espaço que vem se consolidando como um dos pontos de encontro da festa.
A gastronomia também foi um dos grandes atrativos. Ao todo, foram consumidos mais de 25 mil itens. O tradicional pastel de São Judas liderou as vendas, com mais de 5.500 unidades comercializadas. Já o bolo do padroeiro teve quase 3.800 fatias vendidas. Pães alemães, sanduíches de linguiça e pernil, doces caseiros, tortas, salgados e bebidas completaram o cardápio. Toda a arrecadação será destinada às obras sociais mantidas pela igreja.
Para o padre Lucas Thadeu, a festa representa um momento de integração e acolhimento, que cresce a cada ano.
“A festa foi um sucesso, dias felizes e acolhedores nas celebrações religiosas e no convívio social. Vem crescendo a cada ano com programação musical de qualidade e se torna referência na cidade, oferecendo ambiente familiar para todas as idades. A ideia de termos atrações para todos os gostos, como rock anos 80 e 90 e também samba, abre oportunidade para acolhermos um público mais amplo. Festa do padroeiro é isso: celebrar com nossa comunidade e pessoas de fora, que recebemos de braços abertos”, destacou.
O sacerdote também agradeceu aos mais de 200 voluntários envolvidos na realização do evento e à produção do Instituto Movarte/Dó Ré Mi, responsável pela contribuição artística da programação.
Celebrações religiosas e concurso Holywins
Um dos momentos especiais da programação foi a presença do bispo diocesano, Dom Joel Portella Amado, que celebrou a missa das escolas no dia do padroeiro, 28 de outubro, com a participação do Grupo Dó Ré Mi.
Outra novidade que chamou a atenção foi o concurso Holywins, que reuniu mais de 30 crianças caracterizadas como santos e personagens bíblicos. A iniciativa, cujo nome significa “a santidade vence”, é uma celebração católica proposta como alternativa cristã ao Halloween.
Cecília, caracterizada como Santa Cecília, padroeira da música, conquistou o primeiro lugar. Letícia de Souza, vestida de Santa Rita de Cássia, ficou em segundo, enquanto Arthur Vieira Tocantins, caracterizado como São Judas Tadeu, alcançou a terceira colocação.
O prêmio principal foi uma viagem ao Beto Carrero World, em Santa Catarina, com direito a um acompanhante e todas as despesas pagas.
A integração entre as comunidades também ganhou destaque. No dia 31 de outubro, durante a celebração do Dia da Unidade Paroquial, a igreja disponibilizou vans para facilitar o deslocamento de idosos e pessoas com dificuldades de transporte até a festa.
Tradição que atravessa gerações
Além da programação, a festa mantém histórias de famílias que acompanham a celebração há décadas. É o caso de Felipe Hillen, de 38 anos, frequentador desde a infância, que resumiu o espírito das quermesses com a conhecida frase: “De pastel em pastel a gente vai pro céu”.
Ele destacou a criação do Burgo Alemão como uma iniciativa que valoriza a identidade do bairro, de colonização alemã.
Sua mãe, Nirley Hillen, de 75 anos, nascida na Mosela, acompanhou até mesmo a construção da Igreja de São Judas Tadeu. Ela relembrou que a festa começou com apenas uma barraca em frente ao salão da igreja e cresceu ao longo dos anos. Para mãe e filho, os sanduíches de pernil e linguiça, além do tradicional pastel, estão entre os quitutes preferidos.
O evento também atraiu jovens que cresceram participando da festividade. Fabiana Vieira Afonso, de 27 anos, voltou neste ano para reencontrar amigos e destacou a ampliação da programação e da diversidade gastronômica. Sua amiga de infância, Helena Justen, também de 27 anos, contou que, quando criança, ajudava os pais nas barracas e agora retorna para aproveitar a festa, rever conhecidos e acompanhar as atrações.
A dedicação dos voluntários é outro elemento fundamental para manter viva a tradição. Rosa Maria Justen, de 58 anos, participa há 36 anos e é responsável pelas compras e pela produção do pão do padroeiro. Segundo ela, a receita é de pão alemão genuíno, preparado artesanalmente pelas voluntárias, sem máquinas ou conservantes.
Cléa Cordeiro, de 84 anos, voluntária há quatro décadas, continua trabalhando na preparação dos pastéis com a mesma disposição. “Faço com prazer, é gratificante pela saúde que Deus me dá, com paz e união na família”, afirmou.
Para quem participou pela primeira vez, a experiência também foi positiva. Ana Maria Moura, de 32 anos, esteve na festa para assistir à apresentação da sobrinha no Grupo Dó Ré Mi e elogiou a organização e a receptividade do público.
Música e diversidade marcam a programação
A programação artística foi um dos grandes destaques da 76ª edição, reunindo diferentes estilos musicais e atrações que agradaram a públicos de várias idades.
Pela primeira vez na festa, o tradicional Cacique de Ramos, vindo diretamente do Rio de Janeiro, abriu o último dia de programação com uma roda de samba que lotou o pátio da igreja. Marquinhos do Banjo, representando a diretoria do grupo, destacou o legado musical do Cacique e agradeceu a recepção do público petropolitano.
A Escola de Samba Império de Petrópolis também animou os presentes com sambas-enredo, passistas e instrumentistas. Já o Grupo Samba de Mãos Dadas encerrou a programação musical com uma apresentação de pagodes de sucesso, atraindo uma grande plateia.
Entre as demais atrações estiveram o Grupo Dó Ré Mi, com um espetáculo marcado por canções sobre o amor; o Grupo Blumemberg Volkstanz, com apresentações de danças folclóricas alemãs; e o Festival de Talentos dos alunos das escolas paroquiais.
Gabriel Silva e banda levaram sucessos do pop e rock, enquanto a banda católica Em Nome do Pai reuniu fiéis que acompanharam e cantaram as músicas. Outra novidade foi a Banda The Rooftops, que apresentou sucessos das décadas de 1970, 1980 e 1990 e colocou o público para dançar.
Com participação expressiva, diversidade cultural, tradição gastronômica e forte envolvimento comunitário, a 76ª Festa de São Judas Tadeu reafirmou sua importância para a Mosela e para Petrópolis, mantendo viva uma celebração que atravessa gerações e fortalece os laços entre a comunidade e a igreja.
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