Empreendedorismo feminino no Brasil: por que coragem não basta sem estratégia
Por Gestão na Prática, Agenda News
Publicado em 04/03/2026 13h35
Divulgação
Por Gestão na Prática, Agenda News
Publicado em 04/03/2026 13h35
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Março sempre traz reflexões sobre o papel da mulher no mercado, por conta do Dia Internacional das Mulheres. Eu gosto dessas discussões. Elas são importantes porque nos lembram das conquistas, das barreiras que ainda existem e da necessidade constante de ampliar espaço e oportunidades.
Ao mesmo tempo, o empreendedorismo feminino está presente na rotina de muitas mulheres durante todo o ano. Ele é diário, constante e muitas vezes é o que sustenta famílias, constrói patrimônio e viabiliza sonhos que vão muito além do negócio em si.
Para mim, empreender nunca foi uma decisão simbólica. Foi uma escolha estratégica e consciente de longo prazo.
Por que o empreendedorismo feminino deixou de ser plano B?
Os números mostram que não se trata de tendência passageira. Segundo o Sebrae, o Brasil tem hoje 10,4 milhões de mulheres empreendedoras e esse é o maior número já registrado, com crescimento de 42% na última década.
Dados da Associação Brasileira de Franchising indicam que mais de 32% das franquias do país já são comandadas por mulheres. E um levantamento da Serasa Experian aponta que negócios liderados por mulheres apresentam 20% menos inadimplência.
Isso revela algo importante: o empreendedorismo feminino não é apenas uma alternativa ao mercado formal. Ele se consolidou como estratégia real de crescimento, autonomia e geração de valor.
Mas a estratégia não nasce pronta. Ela é construída.
Quando o planejamento encontra a realidade
Sou farmacêutica industrial de formação e passei três anos em Indústria privada e quatro na Aeronáutica. Tinha salário fixo e plano de carreira. Ainda assim, desde o segundo ano eu economizava dinheiro e estudava um nicho específico. Eu sabia que queria empreender. Só não queria fazer isso por impulso.
Em 2014, ao lado dos meus sócios André e Danielle, fundei uma farmácia de manipulação veterinária, a Tudodvet. Investimos em todas as nossas economias. O plano era estruturado. Mas a realidade sempre coloca qualquer planejamento à prova.
Nos primeiros meses, a empresa praticamente parou. Faltou capital de giro. Faltou experiência em algumas decisões. E sobrou responsabilidade.
Vendemos a casa onde morávamos para manter o negócio vivo. Passamos um período reorganizando tudo, financeiramente e emocionalmente. Não é a parte da história que costuma aparecer. Mas é ali que a mentalidade empreendedora se consolida.
Aprendi que competência técnica não sustenta empresa sozinha. É preciso gestão. Controle de fluxo de caixa. Margem clara. Posicionamento. E, principalmente, maturidade emocional para decidir sob pressão.
Esse foi o verdadeiro início da minha trajetória no empreendedorismo feminino: quando entendi que coragem sem método vira risco desnecessário.
O que diferencia crescimento de sobrevivência?
Com o tempo, percebi que não bastava ter um bom produto. Era preciso ter clareza de posicionamento.
Paramos de pensar apenas como técnicos e passamos a agir como gestores. Estruturamos processos, fortalecemos relacionamento com parceiros estratégicos e passamos a olhar para experiência do cliente, precificação e expansão com visão de longo prazo.
Crescer deixou de ser desejo e passou a ser consequência direta de organização e disciplina.
Hoje temos nove unidades comercializadas e estamos em expansão por franquias. Mas o que realmente sustenta este crescimento não é o número de unidades. É a disciplina de gestão construída desde os momentos mais difíceis.
Empreendedorismo feminino exige coragem, mas requer ainda mais preparo.
Os dados mostram que o empreendedorismo feminino está consolidado no Brasil. Mas há algo que os números não mostram: o peso das decisões silenciosas.
Empreender exige maturidade para renunciar ao conforto imediato. Exige assumir riscos calculados. Exige entender que estratégia não elimina o medo, mas organiza o medo.
Nesta coluna, quero falar sobre isso. Sobre gestão feita no dia a dia. Sobre decisões difíceis. Sobre erros que ensinam mais do que acertos. Sobre crescimento estruturado e responsabilidade com pessoas.
Porque a empresa não se constrói apenas com sonho. Se constrói com método, constância e posicionamento.
O empreendedorismo feminino não é pauta de um mês. É prática diária de mulheres que transformam competência em resultado.
Porque no fim, empreender não é sobre ter coragem uma vez.
É sobre sustentar decisões todos os dias.
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A coluna Gestão na Prática é um espaço dedicado a conversas reais sobre comportamento, negócios, varejo, vendas e gestão de pessoas. Com uma visão prática de quem vive o empreendedorismo no dia a dia, Caroline aborda desafios, decisões, erros e acertos que fazem parte da construção de empresas sustentáveis. A coluna traz reflexões diretas, aprendizados aplicáveis e provocações para líderes, empreendedores e profissionais que buscam crescer com consistência, humanidade e resultado.
Caroline Ramalho é farmacêutica industrial, fundadora da Tudodvet, farmácia de manipulação veterinária e presidente da Anfarmag-RJ. Empreendedora por escolha e por coragem, deixou uma carreira na Aeronáutica para construir, com seus sócios, um negócio próprio. Sua trajetória é marcada por resiliência, visão de varejo e gestão na prática. Hoje, lidera uma rede franqueada em expansão, unindo experiência real, decisões difíceis e aprendizado contínuo sobre negócios e pessoas.