Água: o único recurso que sua empresa ainda gerencia no escuro

Por Pedro Vitali, CEO & Cofundador da T&D Sustentável

Por Momento ESG, Agenda News

Publicado em 09/06/2026 10h50

Água: o único recurso que sua empresa ainda gerencia no escuro Magnific
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Pergunte a qualquer gestor quanto a empresa gastou de energia no mês passado. Em segundos ele abre um painel, mostra a curva e aponta o pico das duas da tarde. Faça a mesma pergunta sobre água. Provavelmente ele vai atrás da conta na gaveta, olha o valor total e não faz a menor ideia de onde aquilo escorreu. 

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Durante décadas a água foi tratada como mobília. Estava lá. Abria a torneira e a operação rodava. Parecia tão garantida que quase ninguém parava para calcular quanto consumia ou quanto perdia pelo caminho, muito menos o risco de depender tanto de um recurso cada vez mais sob pressão.

 
Isso começou a mudar. Os centros de monitoramento já puseram o El Niño em alerta de formação para os próximos meses, e o assunto migrou do bloco de meteorologia para a mesa de planejamento e de gestão de risco. Seca mais longa, reservatório no limite e calor fora de hora pesam direto no custo e na previsibilidade de quem opera.

 
E não é dor exclusiva da indústria pesada. Hotel, hospital, centro logístico, supermercado, shopping, condomínio corporativo, data center de empresa de tecnologia, a lista é longa, se faltar água. Ela segura a operação inteira justamente quando ninguém está prestando atenção nela.

O custo que ninguém acompanha
Boa parte das empresas ainda administra esse recurso no escuro. Monitora energia em tempo real, fecha o financeiro no dia, controla estoque item a item. Água? Aparece uma vez por mês, no valor da conta, e ponto final. O vazamento que corre atrás da parede há meses ou o consumo que disparou sem explicação não aparecem em lugar nenhum. Quando aparecem, já viraram problema caro. 


A água deixou de ser pauta ambiental e virou variável de operação. Investidor pergunta. Seguradora quer saber.

Certificação ESG cobra. E faz sentido: desperdício de recurso é desperdício de dinheiro com outro nome, com ineficiência e falta de controle de brinde.

No fim, é tudo água
Tem um engano que se repete sempre que o assunto é sustentabilidade corporativa: achar que ESG é uma frente paralela, montada para enfeitar relatório e acalmar a área de reputação. É o contrário. Empresa eficiente costuma ser mais sustentável pelo motivo mais prosaico do mundo. Quem corta desperdício e opera com mais cabeça gasta menos e, de quebra, polui menos. 


E quase sempre essa conta passa pela água. O desperdício hídrico quase nunca é dramático. Ele é chato e silencioso: um vazamento que ninguém enxerga, um processo que continua ruim só porque sempre foi feito assim. Vistos de perto, parecem bobagem. Empilhados ao longo de um ano, viram dinheiro escorrendo pelo ralo. Sem trocadilho. 


O alerta do El Niño só joga luz no que já era verdade antes dele. Recurso natural não é infinito, e quem insistir em tratar água como item de segunda linha vai pagar essa conta nos próximos anos.

Não só na frente ambiental. No caixa e na competitividade também. 


Minha aposta é simples. Daqui a alguns anos, desperdiçar água vai pegar tão mal quanto desperdiçar dinheiro pega hoje: cara de gestão desleixada. Quem sacar isso antes não vai sair por aí dizendo que “contribui com a sustentabilidade”. Vai só estar operando melhor que o vizinho.



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