Violino: quando a música também ensina a ouvir, concentrar e persistir

Por Redação, Agenda News

Publicado em 15/10/2026 13h12

Violino: quando a música também ensina a ouvir, concentrar e persistir Divulgação
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Aos 25 anos, professor Jackson Vitor transforma 16 anos de dedicação ao instrumento em experiência para formar novos músicos na Escola de Música Santa Cecília

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Há instrumentos que impressionam pela técnica, outros pela potência e há aqueles capazes de estabelecer uma conexão imediata com quem escuta. O violino está entre eles. Seu timbre, frequentemente associado à voz humana, é marcado pela capacidade de transmitir emoção e criar uma relação muito particular entre músico, instrumento e público. Mas, para quem decide aprender a tocá-lo, a experiência vai muito além da música: envolve concentração, coordenação, memória, disciplina, percepção auditiva e, principalmente, a capacidade de persistir diante de desafios.

Essa é uma experiência que Jackson Vitor conhece desde os 9 anos de idade. Hoje, aos 25, o professor de música acumula 16 anos de estudos dedicados ao violino e transformou a relação construída com o instrumento ao longo da infância e da adolescência em profissão. Atualmente, ele atua como professor de violino, viola clássica e musicalização e integra a equipe da Escola de Música Santa Cecília, em Petrópolis.

“Comecei a estudar violino aos 9 anos de idade. Com o passar do tempo, o instrumento foi se tornando cada vez mais importante na minha vida, tanto como forma de expressão quanto como profissão”, conta Jackson.

O interesse pelo instrumento foi se consolidando ao longo dos anos. A formação começou com a professora Jaqueline Moreira e posteriormente incluiu capacitação de violino e pedagogia com a professora Carla Ricon. Jackson também participou do Festival de Música de Juiz de Fora, do Festival Vale do Café e do Festival Internacional de Londrina. Como músico, integrou a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro e atualmente faz parte da Orquestra Teatro Imperial. A experiência acumulada nos palcos e nos estudos passou, naturalmente, a fazer parte também da sala de aula.

“Procuro transmitir não apenas conhecimentos técnicos, mas também disciplina, confiança e prazer em aprender música. Gosto de acompanhar o crescimento de cada aluno e ajudá-lo a perceber que é capaz de evoluir”, afirma.

A percepção de que o aprendizado musical pode contribuir para diferentes aspectos do desenvolvimento encontra respaldo em pesquisas científicas. Estudos sobre treinamento musical apontam associações com funções cognitivas relacionadas à atenção, memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva, embora os resultados variem de acordo com a idade, a metodologia e o tipo de treinamento analisado. Uma revisão sistemática publicada em 2022, por exemplo, encontrou evidências de efeitos do treinamento musical sobre funções executivas em crianças, enquanto uma meta-análise publicada posteriormente identificou resultados positivos especificamente relacionados ao controle inibitório.

A prática de um instrumento é uma atividade especialmente complexa porque exige que diferentes habilidades sejam acionadas simultaneamente. No caso do violino, o aluno precisa coordenar os movimentos das duas mãos, controlar o arco, posicionar os dedos, acompanhar a leitura musical, perceber a afinação e, ao mesmo tempo, produzir uma interpretação. É um exercício contínuo de atenção e coordenação.

“Constância, postura, coordenação, afinação e um bom controle do arco são fundamentais. O aluno precisa construir uma boa base técnica desde o começo”, explica Jackson.

O aprendizado também pode ensinar algo que ultrapassa a execução musical: a relação com o erro. Nem sempre o primeiro som produzido será bonito, a primeira música será executada com segurança ou a primeira apresentação acontecerá sem nervosismo. A evolução acontece aos poucos, a partir da repetição, da correção e da percepção de pequenos avanços.

“A música pode desenvolver confiança, concentração, disciplina, autonomia e autoestima. Também ajuda o aluno a aprender a lidar com desafios e a perceber a própria evolução”, destaca o professor.

Essa construção não é exclusiva das crianças. Adolescentes e adultos também podem começar a estudar um instrumento sem conhecimento musical anterior. Para Jackson, não existe uma idade única para começar.

“Não acredito que exista uma idade única e obrigatória para começar. O mais importante é ter vontade de aprender e um acompanhamento adequado. Não é necessário começar já tendo talento ou conhecimento musical”, afirma.

A ciência também vem estudando a relação entre música e bem-estar. Revisões sistemáticas de ensaios clínicos encontraram efeitos de intervenções musicais sobre indicadores relacionados ao estresse, tanto psicológicos quanto fisiológicos. Esses estudos, no entanto, não significam que uma aula de violino seja uma intervenção terapêutica, mas ajudam a explicar por que experiências musicais podem estar relacionadas à atenção, às emoções e à percepção de bem-estar.

O próprio processo de estudar um instrumento pode se transformar em um momento de pausa e concentração em uma rotina marcada por estímulos constantes. Durante a prática, o estudante precisa estar atento ao que está fazendo, ouvir o resultado, identificar erros e tentar novamente. É uma atividade que exige presença e continuidade.

E, quando o aprendizado deixa a sala de aula e chega às apresentações, surge outro componente importante: a confiança. Jackson considera as apresentações parte fundamental da formação.

“As apresentações ensinam o aluno a se preparar, lidar com o nervosismo e ter confiança para mostrar aquilo que aprendeu”, diz.

Essa visão de formação musical está diretamente relacionada à história da Escola de Música Santa Cecília. Fundada em 16 de fevereiro de 1893 pelo professor João Paulo Carneiro Pinto, a instituição atravessou mais de 130 anos de história e se tornou parte da vida cultural de Petrópolis. Ao longo de sua trajetória, passou por diferentes espaços e momentos históricos, mantendo como eixo o ensino e a difusão da música. Entre seus antigos alunos estão nomes como Magdalena Tagliaferro, César Guerra-Peixe e Ernani Aguiar.

Hoje, a Escola mantém aulas de diferentes instrumentos e modalidades de formação musical e procura aproximar o ensino de públicos de diferentes idades. Para Janine Meirelles, presidente voluntária da instituição, a presença de professores jovens como Jackson representa também uma forma de renovar esse contato com as novas gerações sem perder a tradição construída ao longo de mais de um século.

“Uma instituição com mais de 130 anos de história precisa preservar sua tradição, mas também precisa olhar para o presente e para o futuro. A capacidade de professores jovens é muito importante nesse processo, porque eles também conseguem estabelecer uma comunicação mais próxima com novos alunos e mostrar que a música pode fazer parte da vida de diferentes gerações”, afirma Janine.

Segundo ela, esse olhar também ajuda a apresentar a Escola a pessoas que talvez nunca tenham tido contato com um instrumento.

“Queremos que os jovens e também os adultos tenham a oportunidade de conhecer um instrumento tão rico como o violino. Muitas vezes, uma pessoa acredita que precisa ter talento ou começar muito cedo, e não é assim. O mais importante é ter vontade de aprender e encontrar um espaço que ofereça orientação e acompanhamento”, acrescenta.

A trajetória de Jackson traduz exatamente essa passagem entre o aluno e o professor. O menino que começou a estudar violino aos 9 anos encontrou no instrumento uma forma de expressão, construiu uma formação ao longo de 16 anos e hoje compartilha esse conhecimento com outros estudantes.

“A música representa uma forma de expressão, aprendizado e conexão com outras pessoas. Ela faz parte da minha trajetória e hoje também está ligada à minha profissão”, resume.

Mais do que aprender a tocar uma sequência de notas, estudar violino pode significar aprender a escutar, repetir, corrigir, esperar, persistir e reconhecer a própria evolução. É uma construção que acontece pouco a pouco e que, quando encontra orientação adequada, pode permanecer para além da sala de aula.

Na Escola de Música Santa Cecília, essa possibilidade se encontra com uma instituição que há mais de 130 anos mantém a música como parte da formação cultural de Petrópolis.

Mais informações podem ser obtidas de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, na sede da Escola de Música Santa Cecília, localizada na Rua General Osório, 192, Centro de Petrópolis, pelo telefone e WhatsApp (24) 2242-2191 ou pelas redes sociais @emusicasantacecilia, no Instagram, e @santaceciliapetropolis, no Facebook.

SERVIÇO
Escola de Música Santa Cecília
Rua General Osório, 192
(25620-160) Centro, Petrópolis – RJ
Google Maps: https://goo.gl/maps/y3euNmLBzsfcwtXv8 

Telefone/ Whatsapp: (24) 2242-2191
Instagram: @emusicasantacecilia (https://www.instagram.com/emusicasantacecilia/)
Facebook: @santaceciliapetropolis (https://www.facebook.com/santaceciliapetropolis)

SOBRE A ESCOLA DE MÚSICA SANTA CECÍLIA
A Escola de Música Santa Cecília, foi fundada em 16 de fevereiro de 1893, pelo professor de música João Paulo Carneiro Pinto, pernambucano talentoso e músico conhecido por sua excelência, atestada por uma das suas premiações, a “Medalha de Ouro” do Conservatório de Música do Rio de Janeiro. O professor, trazido para Petrópolis pela Família do Barão Araujo, que venerava Petrópolis, assim como outras tantas famílias que tinham a cidade como refúgio do calor e dos problemas de saúde que enfrentavam na então capital do Brasil, Rio de Janeiro. 

Além disso, com a industrialização, na última década do século XIX, Petrópolis atraiu trabalhadores do exterior, como também de todo país, estabelecendo uma união estreita da cidade com os mineiros imigrantes, através do trem de ferro. A República, recém instaurada, sofria pressões políticas, e a Revolta da Armada contra o governo de Floriano Peixoto feria a paz, estando decidida a mudança da capital do Estado do Rio de Janeiro para Petrópolis. Os verões alegres da cidade, a tranquilidade, o ambiente saudável, a garantia de emprego, tornaram-se atrativos para uma nova população que pouco a pouco integrou-se aos colonos alemães.

Por causa de toda esta ebulição, o músico João Paulo Carneiro Pinto, abandonou a vida carioca, fixou residência em Petrópolis, onde inaugurou um ensino de música para 34 crianças bem dotadas musicalmente e, principalmente, sem recursos, na escola que leva o nome da padroeira da música, Santa Cecília. Passando de um prédio a outro de doações e subvenções do poder público e do empresariado, a Escola foi inicialmente acolhida no Hotel Bragança, que nada cobrava do maestro.

A escola de Paulo Carneiro tornou-se presença obrigatória em toda a vida cultural e festiva de Petrópolis, não só pelo ensino como pela orquestra, participante efetiva de todas as festividades públicas e particulares. A extraordinária e muito respeitada figura do maestro foi presença marcante na vida petropolitana. Ao falecer, a 10 de setembro de 1923, seu último pedido a amigos e devotados auxiliares: Não deixem morrer a minha Escola!

Na manhã de 23 de setembro de 1923 reuniram-se esses amigos com Sanctino Carneiro, filho do maestro, que abriu mão de todos os bens do pai – representados por instrumentos musicais e a própria escola – iniciando a organização da sociedade civil, hoje conhecida como a Escola de Música Santa Cecília. 

De prédio em prédio, a sociedade adquiriu, por fim, uma pequenina casa na rua Marechal Deodoro, número 192, esquina da Rua Marechal Deodoro com a Rua General Osorio, onde se instalou com cursos musicais, abrindo seu salão para atividades artísticas em geral, que abrigavam também um cineteatro. Graças a uma campanha sólida de arrecadação junto à população petropolitana, em 1950 o pequeno prédio foi demolido e as obras começaram. Durante o período de construção, a escola funcionou no Palácio de Cristal. Cinco anos depois, em 1955 foram inaugurados o Edifício Paulo Carneiro e o Teatro Santa Cecília, consolidando o sonho do Maestro Paulo Caneiro.

Dentre as centenas de alunos, professores e dirigentes, que passaram por seus bancos escolares e administrativos, destacam-se três notáveis personalidades musicais, todos petropolitanos natos, representantes de três fases da Escola: da primeira (século XIX), a pianista Magdalena Tagliaferro, aluna do maestro Paulo Carneiro; da segunda (primeira metade do século XX), o maestro, pesquisador e compositor César Guerra-Peixe; e da terceira (segunda metade do século XX), o maestro, compositor e pesquisador Ernani Aguiar.



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