O mercado pet continua crescendo. Mas as oportunidades mudaram de lugar
Por Gestão na Prática, Agenda News
Publicado em 13/08/2026 14h13
Magnific
Por Gestão na Prática, Agenda News
Publicado em 13/08/2026 14h13
Magnific
Quem acompanha esta coluna sabe que gosto de falar sobre gestão, liderança e os aprendizados que encontro ao longo da minha trajetória como empreendedora. Mas, neste mês, quero abrir espaço para conversar sobre um mercado do qual faço parte há muitos anos e que acompanho de perto todos os dias: o mercado pet.
Tenho percebido um interesse cada vez maior de pessoas que desejam empreender ou investir nesse segmento. E, sempre que esse assunto surge, a pergunta é praticamente a mesma: ainda vale a pena investir no mercado pet?
A minha resposta continua sendo sim. Mas ela vem acompanhada de uma reflexão importante: as oportunidades continuam existindo, só mudaram de lugar.
Durante muito tempo, o crescimento do mercado pet parecia suficiente para explicar quase tudo. O aumento da população de animais de estimação, a humanização dos pets e o fortalecimento do vínculo entre tutores e animais impulsionaram um setor que acumulou recordes de faturamento e despertou o interesse de milhares de empreendedores.
Esse movimento continua. O mercado brasileiro movimentou R$ 77,96 bilhões em 2025. Mas há um dado que merece uma leitura mais cuidadosa: descontada a inflação, o setor registrou sua primeira retração real desde 2019. Para mim, isso não significa perda de força. Significa amadurecimento.
Mercados maduros funcionam de outra forma. Eles deixam de premiar qualquer modelo de negócio e passam a valorizar empresas que conseguem construir diferenciais consistentes.
É exatamente isso que tenho observado no mercado pet.
As oportunidades continuam existindo, mas estão cada vez mais concentradas em negócios que oferecem especialização, criam relacionamento com o tutor e conseguem acompanhar o animal ao longo da vida. A lógica deixa de ser vender um produto e passa a ser entregar uma solução.
Talvez esse seja o maior movimento que estamos vivendo hoje.
Quando olhamos para os segmentos que mais crescem, percebemos que a saúde animal, os serviços especializados, a medicina veterinária e os modelos baseados em recorrência vêm ganhando espaço. Não é por acaso. O comportamento do consumidor mudou. O tutor está mais informado, pesquisa mais, compara alternativas e busca qualidade técnica. Ele quer confiança, conveniência e um atendimento que faça sentido para a realidade do seu animal.
Na prática, isso exige outro tipo de empresa.
Paixão pelos animais continua sendo fundamental. Mas paixão sem gestão dificilmente sustenta um negócio no longo prazo. Cada vez mais, vejo empresas se destacando porque investem em processos, equipes qualificadas, tecnologia e experiência do cliente. São organizações que entendem que fidelização não acontece apenas na venda, mas na capacidade de entregar valor continuamente.
Na área da saúde animal, essa transformação fica ainda mais evidente. Os pets vivem mais, os tratamentos se tornaram mais sofisticados e a medicina veterinária evoluiu muito nos últimos anos. Isso amplia a procura por serviços especializados, acompanhamento contínuo e soluções personalizadas, gerando novas oportunidades para negócios que unem conhecimento técnico e inovação.
Na *Tudodvet* , acompanho essa evolução diariamente. A personalização dos tratamentos deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade em muitos casos. Cada animal responde de uma forma, e desenvolver soluções adaptadas às suas características melhora a adesão ao tratamento e fortalece o cuidado ao longo da vida. Mais do que falar sobre manipulação veterinária, gosto de enxergar esse movimento como um reflexo de uma mudança maior: o mercado pet está caminhando para soluções cada vez mais individualizadas e baseadas em conhecimento.
Em agosto, a *PET South America* certamente apresentará muitas novidades. Mas, para mim, o mais interessante será observar como essas inovações refletem essa transformação do mercado. Mais do que novos produtos, veremos empresas discutindo tecnologia, gestão, experiência, especialização e eficiência.
É por isso que continuo acreditando no potencial do setor. Não porque ele seja um mercado fácil, mas porque ele está se tornando um mercado melhor. Mais profissional, mais técnico e mais preparado para gerar valor de forma consistente.
As oportunidades continuam existindo. Só mudaram de lugar. E entender esse movimento talvez seja o maior diferencial para quem pretende empreender ou investir nos próximos anos.
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A coluna Gestão na Prática traz reflexões diretas sobre negócios, vendas e liderança, com base na experiência real do dia a dia do empreendedorismo. Caroline compartilha aprendizados, desafios e decisões para ajudar profissionais e líderes a crescer com consistência, humanidade e bons resultados.
Caroline Ramalho é farmacêutica industrial, fundadora da Tudodvet e presidente da Anfarmag-RJ. Ex-Aeronáutica, escolheu empreender e construiu, com seus sócios, um negócio próprio que hoje se expande em franquias. Sua trajetória combina resiliência, visão de varejo e experiência prática em gestão de negócios e pessoas.
Instagram: @carolineramalhos