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Setembro Amarelo: Empreender também exige cuidado! Saúde mental e os limites de quem lidera

Por Gestão na Prática, Agenda News

Publicado em 22/09/2026 19h55

Setembro Amarelo: Empreender também exige cuidado! Saúde mental e os limites de quem lidera Etactics Inc na Unsplash
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Em uma rotina marcada por decisões, cobranças e responsabilidades, quem ocupa a cadeira de liderança também precisa reconhecer seus limites e entender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.

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Quando falamos sobre saúde mental no ambiente de trabalho, é comum pensarmos primeiro nas equipes: excesso de cobrança, ambientes tóxicos, burnout, qualidade de vida. Mas existe uma pessoa que, muitas vezes, fica fora dessa conversa: quem está na liderança.
Quem empreende também sente medo, insegurança, ansiedade e pressão.

Também passa noites pensando em uma decisão que precisa tomar, em uma conta que precisa fechar, em um problema que não pode esperar até amanhã. A diferença é que existe uma expectativa de que o líder não demonstre nada disso. Espera se que ele tenha respostas, mantenha a calma, motive a equipe e enxergue oportunidades mesmo em momentos de incerteza. Talvez por ocupar justamente esse lugar, seja ainda mais difícil admitir que não está bem.
Já passei por isso. Em determinado momento da minha trajetória, tentando conciliar a empresa, a maternidade e as demais responsabilidades da vida, percebi que estava querendo dar conta de tudo e não estava conseguindo. Tive crises de ansiedade e precisei admitir para mim mesma que precisava parar.

Empreender ensina muito sobre resistência, e sempre fui uma pessoa resistente. Mas existe uma diferença entre resistir a uma fase difícil e viver permanentemente no limite. Essa distinção foi importante para mim.

O líder também precisa reconhecer seus sinais
Falamos sobre autoconhecimento como habilidade importante para liderar pessoas, mas ele também é uma ferramenta para perceber nossos próprios limites. Sei hoje que sou uma pessoa agitada, que gosta de movimento e tem facilidade para querer resolver muitas coisas ao mesmo tempo.

Também aprendi que esse comportamento influencia quem trabalha comigo: quando estou muito acelerada, posso acelerar o ambiente; quando estou reativa, posso tornar uma situação mais difícil do que precisa ser.


Hoje, quando percebo que estou chegando ao meu limite, consigo dizer que preciso de algumas horas, de um tempo ou de um dia para recuperar meu eixo, e meus sócios já entendem isso. Reconhecer o próprio limite antes de ultrapassá-lo também é uma decisão de gestão.

Quem cuida de quem lidera?
Os sinais aparecem também entre quem ocupa posições de liderança. A terceira edição do Engaja S/A, realizada pela Flash em parceria com a FGV EAESP com 5.397 profissionais de todo o Brasil, mostrou que 78% dos executivos e gestores intermediários relatam algum nível de ansiedade, enquanto 74% afirmam sentir fadiga com frequência. Entre os diagnosticados com ansiedade ou burnout, 63% dos líderes disseram não ter conversado com sua liderança direta sobre o tema.


Os números expõem uma contradição: queremos empresas onde as pessoas possam falar sobre suas dificuldades, mas esperamos que quem está no comando seja sempre forte.


Não acho que liderança seja sobre isso. Para mim, liderar não significa não ter problemas, e sim conseguir tomar decisões mesmo sem ter todas as respostas. Isso inclui saber pedir ajuda, seja a um sócio, a alguém da equipe, à família, a um amigo ou a um profissional especializado. O importante é não acreditar que carregar tudo sozinho faz parte do cargo.

A saúde mental do líder também impacta a empresa
O líder não está isolado dentro da organização. Suas escolhas e a forma como reage às situações ajudam a construir a cultura da empresa. Se quero que minha equipe saiba dizer que precisa de ajuda, preciso demonstrar que eu também posso precisar. Se quero que as pessoas respeitem seus limites, preciso respeitar os meus.


Isso não significa trabalhar menos ou deixar de buscar resultados. Continuo sendo uma pessoa movida por crescimento, estudando, criando e tomando decisões. O que mudou foi a compreensão de que alta performance não precisa significar exaustão permanente.

Empreender também precisa ser sustentável para quem empreende

Talvez essa seja uma das maiores contradições do empreendedorismo: queremos construir empresas que durem muitos anos, mas às vezes fazemos isso sem pensar se conseguiremos sustentar aquele ritmo pelo mesmo tempo. Não existe negócio sustentável quando a pessoa à frente dele está permanentemente esgotada.


Não estou falando de evitar momentos difíceis, que fazem parte da jornada empreendedora, mas de perceber quando uma exceção começa a virar rotina: quando não conseguimos mais desligar, quando o trabalho ocupa todos os espaços, quando pedir ajuda parece fraqueza e descansar gera culpa.

Setembro Amarelo lembra da importância de falar sobre saúde mental e prevenção. Essa conversa também precisa chegar aos empreendedores, empresários e líderes que muitas vezes acreditam que precisam sustentar todos ao seu redor sem demonstrar que também precisam de sustentação. Hoje, uma das coisas que mais procuro fazer é prestar atenção ao meu próprio ponto de parada, não porque deixei de querer crescer, mas porque entendi que quero crescer de uma maneira que faça sentido para a minha vida.
Cuidar da saúde mental também faz parte da resposta a essa pergunta. E talvez uma das formas mais importantes de liderança seja reconhecer que, por trás da cadeira, dos resultados e das decisões, existe uma pessoa que também precisa de cuidado.



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A coluna Gestão na Prática traz reflexões diretas sobre negócios, vendas e liderança, com base na experiência real do dia a dia do empreendedorismo. Caroline compartilha aprendizados, desafios e decisões para ajudar profissionais e líderes a crescer com consistência, humanidade e bons resultados.


Caroline Ramalho é farmacêutica industrial, fundadora da Tudodvet e presidente da Anfarmag-RJ. Ex-Aeronáutica, escolheu empreender e construiu, com seus sócios, um negócio próprio que hoje se expande em franquias. Sua trajetória combina resiliência, visão de varejo e experiência prática em gestão de negócios e pessoas.
Instagram: @carolineramalhos