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Educação | Terça-feira

Letramento científico para adolescentes

Por Maria Angela Gomes, Agenda News

Publicado em 24/08/2021 16h10

Letramento científico para adolescentes Ilustrativa
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Um fato sobre a pandemia é que nós nunca tivemos tanta necessidade em compreender a ciência e os processos científicos. Recentemente algumas cidades chegaram a fase de vacinação de adolescentes, no entanto, o que deveria ser motivo de euforia veio acompanhado de declarações dos governantes acerca da baixa quantidade desta faixa etária aos postos de vacinação. Campanhas na internet pedindo aos influencers digitais que divulguem a necessidade da vacinação tem sido uma medida para alcançar este público, mas de fato isso leva informação científica ou apenas emergencial? Diante disto um tema me veio a mente e que talvez não tenha tido a atenção necessária: o letramento científico. Para quem não conhece ou nunca ouviu falar sobre o letramento científico, trata-se basicamente de levar a crianças e adolescentes a compreensão da natureza científica, bem como capacitá-los para tomarem decisões de questões socio-científicas baseados em evidências.

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Um ponto de partida para pensarmos sobre o letramento científico é pensar onde adolescentes buscam suas fontes de informação. Durante a pandemia, com a restrição aos grupos de convivência presencial, de onde será que vieram as informações acerca da prevenção ao vírus? Até que momento as informações de saúde foram acessíveis a compreensão de adolescentes? Não podemos esperar que um público altamente tecnológico retire suas informações dos telejornais, não é mesmo?! Justamente por isso precisamos falar em linguagem acessível e com evidências que refutam opiniões sem base científica afim de que esse público tenha acesso ao que realmente tem seus alicerces construídos em pesquisas e trabalhos. 

O letramento científico é basicamente a tentativa de mudança na percepção de que a maioria dos adolescentes não possui capacidade de interpretar e formular ideias científicas em uma variedade de contextos. É como se eles soubessem a tabela periódica, mas não soubessem explicar cientificamente como se dá a transmissão da gripe ou do HIV e porque um pode ser transmitido pelo beijo e outro pelo contato sexual. 

Uma grande preocupação das escolas tem sido a aprovação de alunos, a quantidade de informações necessárias para que prestem vestibular, mas até que ponto estamos sendo insuficientes na formação de pessoas com pensamento crítico, com informação, com senso? Priorizar o desenvolvimento do pensamento científico, mais do que nunca, deve ser a base da escola, o que não significa abolir conceitos, mas sim enfatizar experiências, enfatizar a informação de qualidade, impulsionar a investigação, a criação de hipóteses. Precisamos criar cientistas, mas precisamos antes de tudo criar pessoas que pensam cientificamente.



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Maria Angela Gomes

Maria Angela Gomes

Petropolitana, professora de História, mestranda em História Social e atua na área de educação há 04 anos com reforço escolar e educação multidisciplinar. Redes Sociais: Facebook Instagram