ESG nunca foi favor. Era conta que ninguém queria pagar
Por Momento ESG, Agenda News
Publicado em 13/08/2026 14h16
Magnific
Por Momento ESG, Agenda News
Publicado em 13/08/2026 14h16
Magnific
E mpresa que trata ESG como relatório não tem estratégia de sustentabilidade. Tem departamento de PDF. E foi esse pessoal que comemorou, há poucas semanas,
quando a CVM revogou a obrigatoriedade desse relatório para as companhias abertas.
Comemorou como quem escapou de prova.
Para quem nunca soube o que a sigla significa, e são muitos, mesmo entre quem cita ESG
toda semana em reunião: CVM é a Comissão de Valores Mobiliários, o órgão que regula o
mercado de capitais no Brasil. Em 2023 ela mandou. A partir de 2026, toda companhia
aberta teria que publicar relatório de sustentabilidade seguindo o padrão internacional do
ISSB. Em maio deste ano, ela desmandou. Virou voluntário. Simples assim, ou quase,
porque a partir de 2027 vale o modelo “pratique ou explique”. Quem não publicar precisa
justificar por que não publicou. E quem publicar por escolha própria continua preso ao
padrão ISSB, com obrigação de manter o relatório por três anos seguidos. Ou seja,
ninguém escapou de se posicionar. Só trocou a obrigação de fazer pela obrigação de
explicar por que não fez.
E é aqui que mora a separação real. Tem a empresa que tratava sustentabilidade como
anexo de balanço: relatório bonito, selo pendurado, foto institucional no site. Para essa,
sem lei, sem relatório, quase sem assunto, e o máximo que vai precisar é arranjar uma
frase pronta para justificar o silêncio. E tem a empresa que aprendeu, antes de qualquer
resolução, que água jogada fora é dinheiro jogado fora. Essa não perdeu nada com a
mudança, porque nunca precisou de decreto para saber que desperdício sai do caixa.
Passei a carreira inteira dentro de empresas caçando onde a água vaza. Nenhuma delas
parou de desperdiçar recurso porque um órgão regulador pediu um relatório. Parou
quando alguém lá dentro resolveu medir, cobrar e corrigir.
*"A régua de verdade nunca foi a CVM. Foi a conta no fim do mês, e essa não tem exceção regulatória."*
Tem um detalhe que o alívio geral está deixando passar batido. Aqui dentro a régua afrouxou. Lá fora, não. Quem exporta, quem vende para empresa europeia, quem capta
com investidor internacional, segue na mesma régua, às vezes mais dura. O Brasil tinha saído na frente nesse assunto. Agora deu um passo para trás bem na frente de quem estava de olho.
Fica a provocação, sem anestesia. A obrigação saiu, mas a água continua custando, a energia continua custando, e o desperdício nunca foi opcional. Só ficou mais fácil de fingir
que não existe, e agora até isso precisa de justificativa por escrito. ESG não morreu porque a CVM mudou de ideia. Ele só perdeu, de vez, a fantasia de quem fazia da boca
para fora.
A pergunta que sobra é simples, e a resposta vai aparecer sozinha nos próximos balanços: sua empresa fazia ESG por obrigação ou porque dava resultado?
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A Coluna Momento ESG é um espaço dedicado a reflexões práticas sobre sustentabilidade, gestão e impacto positivo nos negócios. A coluna aborda, de forma acessível e estratégica, temas como eficiência operacional, uso inteligente de recursos naturais, inovação, governança e decisões que conectam resultado financeiro à responsabilidade ambiental e social. Mais do que conceitos, o Momento ESG traz aprendizados do dia a dia, provocando líderes e organizações a transformarem discurso em ação.
Pedro Vitali é engenheiro químico, cofundador e CEO da T&D Sustentável, startup que transforma eficiência hídrica em impacto ambiental e financeiro. Natural do interior do Espírito Santo, encontrou em um problema cotidiano o ponto de partida para empreender e gerar mudança real. À frente da empresa desde 2018, já ajudou organizações em todo o Brasil a economizarem mais de 1,5 bilhão de litros de água, unindo inovação, sustentabilidade e resultados concretos para a agenda ESG.