O carbono está prestes a virar a nova água. E quase ninguém está olhando
Por Pedro Vitali · CEO da T&D Sustentável, Agenda News
Publicado em 03/09/2026 10h53 - Atualizado em 03/09/2026 10h53
Magnific
Por Pedro Vitali · CEO da T&D Sustentável, Agenda News
Publicado em 03/09/2026 10h53 - Atualizado em 03/09/2026 10h53
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Empresa que acha que mercado de carbono é assunto de outro departamento, ou de outro país, ainda não fez a conta. Carbono não é pauta de sustentabilidade. É pauta de custo, e está prestes a chegar na sua planilha.
Parece papo de especialista em política climática, manchete de jornal grande, coisa que acontece num andar acima do seu negócio. Reconheço a sensação. O problema é que ela é perigosa, porque esse erro já aconteceu antes, com outro recurso, e sempre custou caro para quem demorou a olhar.
Vamos aos fatos. Desde o fim de 2024 o Brasil tem lei que cria o mercado regulado de carbono, o SBCE. Em 2026 o governo desenha as regras: quem entra, como mede, em quanto tempo. Por enquanto, a cobrança direta mira um grupo restrito. Grandes emissores, acima de 10 mil toneladas de CO2 por ano, menos de 0,1% das empresas do país. Se você não está nessa lista, é tentador concluir que o assunto não é com você. É exatamente aí que peço um minuto de atenção.
A conta de carbono não chega só por lei. Ela chega pela cadeia. Chega quando seu cliente lá fora passa a exigir a pegada do produto que você entrega. Chega quando o banco condiciona o financiamento. Chega no momento em que a empresa grande, aquela que está na lista, repassa a exigência para todos os fornecedores dela. E aí, mesmo quem estava fora, descobre que entrou na conta pela porta dos fundos.
Já escrevi aqui sobre água, o recurso que a maioria das empresas gerencia no escuro, sem medir, sem cobrar, sem colocar na planilha até o dia em que a torneira fecha ou a conta explode. Carbono é o próximo da fila. Hoje já movimenta bilhões de dólares e virou peça central na estratégia de praticamente toda grande corporação do mundo. É mais um recurso que, por anos, saiu pela chaminé sem preço. O que a regulação está fazendo, no fundo é simples. Está colocando etiqueta de preço no que antes era invisível. E quem nunca criou a disciplina de medir o que gasta vai descobrir isso da pior forma possível, pelo boleto.
Repare como o sistema premia quem opera melhor, porque essa é a lógica que qualquer gestor de operação reconhece de cara. Quem emite menos que o limite pode vender o excedente. Quem emite mais precisa comprar.
*Eficiência vira receita. Ineficiência vira despesa. É a lógica de sempre, agora com preço por tonelada*
E para quem ignorar as regras quando elas valerem, a multa pode chegar a 3% do faturamento. Isso não é nota de rodapé. É linha de resultado.
Por enquanto a fase é aprender a medir. A primeira obrigação será só relatar, sem cobrança. Parece pouco, mas é o ano mais importante, porque é quando se monta a base. Quem usa esse tempo para enxergar a própria emissão chega na frente. Quem espera a fatura chegar para começar a medir, chega atrasado e mais pobre.
Não estou pedindo que ninguém vire especialista em carbono da noite para o dia. Estou dizendo o de sempre: quem sabe medir o que gasta dorme tranquilo quando o recurso ganha preço. Quem opera no escuro, não. O carbono está saindo do escuro. A pergunta é se a sua empresa vai junto, ou vai esperar a fatura chegar para descobrir que já estava atrasada.
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A Coluna Momento ESG é um espaço dedicado a reflexões práticas sobre sustentabilidade, gestão e impacto positivo nos negócios. A coluna aborda, de forma acessível e estratégica, temas como eficiência operacional, uso inteligente de recursos naturais, inovação, governança e decisões que conectam resultado financeiro à responsabilidade ambiental e social. Mais do que conceitos, o Momento ESG traz aprendizados do dia a dia, provocando líderes e organizações a transformarem discurso em ação.
Pedro Vitali é engenheiro químico, cofundador e CEO da T&D Sustentável, startup que transforma eficiência hídrica em impacto ambiental e financeiro. Natural do interior do Espírito Santo, encontrou em um problema cotidiano o ponto de partida para empreender e gerar mudança real. À frente da empresa desde 2018, já ajudou organizações em todo o Brasil a economizarem mais de 1,5 bilhão de litros de água, unindo inovação, sustentabilidade e resultados concretos para a agenda ESG.