Produtividade em debate com o fim da escala 6x1: trabalhar mais não significa produzir mais

Por Redação, Agenda News

Publicado em 09/06/2026 10h32

Produtividade em debate com o fim da escala 6x1: trabalhar mais não significa produzir mais Divulgação
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A discussão sobre produtividade e jornada de trabalho voltou ao centro do debate nacional, impulsionada pelas críticas à escala 6x1 e pelas transformações que atingem empresas e trabalhadores. Para o professor e especialista em gestão Claudimir Matos, o equívoco está em confundir produtividade com quantidade de horas trabalhadas, um mito que, segundo ele, já não se sustenta diante das evidências científicas.

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“A ideia de que trabalhar mais horas gera mais resultados é falsa. O que a ciência da gestão mostra é exatamente o contrário”, afirma. Ele destaca a chamada lei dos rendimentos decrescentes, segundo a qual cada hora adicional de trabalho rende menos e custa mais caro, tanto para o trabalhador quanto para as empresas.


Ele frisa que estudos internacionais reforçam esse ponto: a faixa ideal para manter alta performance mental está entre 35 e 40 horas semanais. Acima disso, começam a surgir sinais claros de queda de desempenho. “O trabalhador passa a cometer erros bobos, a tomar decisões mais lentas e o retrabalho aumenta. Uma equipe exausta opera em modo de sobrevivência, não de inovação”, analisa.


Para o professor dos cursos de Gestão da Estácio, há um fator ainda mais decisivo do que o relógio de ponto, que é a motivação. Ele explica que profissionais que se sentem respeitados e conectados ao propósito do trabalho entregam muito mais qualidade em menos tempo. “Um profissional motivado entrega muito mais em seis horas do que alguém exausto entrega em dez”, destaca Claudimir.


A crítica à escala 6x1 também se relaciona com a saúde mental e a vida fora do trabalho. Jornadas extensas dificultam descanso, convivência familiar e autocuidado, afetando diretamente o engajamento. “Quando o trabalhador percebe que não tem tempo para viver, o trabalho vira um fardo. Isso derruba a motivação e abre espaço para o presenteísmo, que é quando se estar presente de corpo, mas com a mente desligada”, explica.


O especialista destaca ainda que o futuro do trabalho aponta para modelos mais flexíveis, como a adoção da semana de quatro dias, já testada com sucesso em diversos países. “Os experimentos internacionais mostram que, ao reduzir a jornada, a produtividade se mantém ou até aumenta, enquanto o estresse cai drasticamente”, observa.


Com o avanço da tecnologia, Claudimir Matos reforça que a inteligência artificial e a automação devem ser aliadas para tornar o trabalho mais inteligente, e não mais cansativo. “O papel da tecnologia não é substituir o humano, mas eliminar tarefas repetitivas e abrir espaço para o que é criativo e estratégico. Isso gera valor.”


Para ele, a discussão sobre o fim da escala 6x1 não é sobre trabalhar menos por comodidade, e sim sobre trabalhar melhor por inteligência. “Ganha a empresa com mais eficiência e menos rotatividade. Ganha o trabalhador com mais saúde e dignidade. O futuro da produtividade não está na exaustão, está no equilíbrio”, conclui.



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