Desta vez, a crise mandou aviso
Por Momento ESG, Agenda News
Publicado em 03/11/2026 12h09
rawpixel.com no Magnific
Por Momento ESG, Agenda News
Publicado em 03/11/2026 12h09
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Crise hídrica costuma chegar sem pedir licença. A torneira seca, o caminhão-pipa atrasa, a operação para e só então alguém pergunta quanto de água a empresa consome por dia. Ninguém sabe responder.
Desta vez é diferente. Desta vez, a crise mandou aviso.
O alerta está no calendário
A NOAA, agência climática dos Estados Unidos, mantém acima de 83% a probabilidade de um El Niño forte até o primeiro trimestre de 2027, com chance de ser o mais intenso desde 1950. No Brasil, o efeito não é um só. O INMET prevê chuva acima da média no Sul, em São Paulo e no centro-sul de Minas Gerais, e chuva abaixo da média no Norte e no Nordeste, com seca prolongada no Semiárido. Tudo isso com calor acima do normal em quase todo o país.
Ou seja: tem empresa que vai sofrer com água demais e tem empresa que vai sofrer com água de menos. As duas vão descobrir isso na mesma época.
O primeiro cenário, todo mundo lembra. As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul afetaram cerca de 2,4 milhões de pessoas e deixaram um prejuízo estimado em R$ 88,9 bilhões, segundo BID, Cepal e Banco Mundial.
Abastecimento comprometido, operação parada, cadeia inteira afetada. O segundo eu conheço de perto. Sou do interior do Espírito Santo, onde os reservatórios seguem baixos e cada mês sem chuva pesa no caixa de quem produz.
O risco já está dentro de casa
Levantamento do CEBDS mostra que 80% das empresas consultadas já enfrentaram problema com disponibilidade ou qualidade da água em suas operações. Não é previsão. É histórico.
E não se trata só de indústria. Academia, hospital, supermercado, restaurante, hotel, escritório. Todo mundo depende de água para abrir as portas. A diferença é que o pequeno tem menos fôlego para aguentar uma semana de restrição.
O pior não é faltar água
O pior cenário não é a falta absoluta. É a empresa descobrir, no meio da crise, que não sabe quanto consome, onde desperdiça e por quantos dias consegue funcionar com o abastecimento reduzido. Nessa hora já não dá tempo de medir. Só dá tempo de improvisar.
Já escrevi aqui que a água é o único recurso que as empresas ainda gerenciam no escuro. Ninguém acompanha energia só pela conta do mês. Acompanha em tempo real, com meta, alerta e responsável. A água merecia o mesmo tratamento, e agora há um motivo com data marcada.
Preparação não exige obra cara. Exige saber quanto cada área consome, encontrar os vazamentos que hoje passam despercebidos e conhecer o tamanho da reserva e quanto tempo ela dura. É trabalho de meses, não de anos. E os meses são exatamente o que ainda temos.
O El Niño não vai perguntar se a empresa estava pronta. Mas, pela primeira vez em muito tempo, deu tempo de se preparar.
Quem usar esses meses para medir vai atravessar o verão olhando a previsão do tempo. Quem não usar vai passar o verão olhando a caixa d'água.
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A Coluna Momento ESG é um espaço dedicado a reflexões práticas sobre sustentabilidade, gestão e impacto positivo nos negócios. A coluna aborda, de forma acessível e estratégica, temas como eficiência operacional, uso inteligente de recursos naturais, inovação, governança e decisões que conectam resultado financeiro à responsabilidade ambiental e social. Mais do que conceitos, o Momento ESG traz aprendizados do dia a dia, provocando líderes e organizações a transformarem discurso em ação.
Pedro Vitali é engenheiro químico, cofundador e CEO da T&D Sustentável, startup que transforma eficiência hídrica em impacto ambiental e financeiro. Natural do interior do Espírito Santo, encontrou em um problema cotidiano o ponto de partida para empreender e gerar mudança real. À frente da empresa desde 2018, já ajudou organizações em todo o Brasil a economizarem mais de 1,5 bilhão de litros de água, unindo inovação, sustentabilidade e resultados concretos para a agenda ESG.